sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Casquinha de Chuchu

Meu marido, Estillac, é alérgico a frutos do mar. Quando começamos a namorar ele já não podia mais comê-los, mas até os dez anos ele pôde, e comia demais. Talvez tenha sido esse excesso (como todos os outros excessos gastronômicos que ele comete) que tenha feito ele não poder mais comer essas maravilhas. O caso é que eu sempre quis, de alguma forma, poder fazê-lo relembrar o sabor dos frutos do mar, e daí surgiu a pesquisa por essa receita. O sabor é delicioso e, na minha sincera opinião, lembra um pouco o sabor de pratos com frutos do mar. Meu marido, no entanto, acho que de tão ávido por esse sabor, acha simplesmente incrível, principalmente por ser feito com chuchu que, para ele, é a fruta – sim, o chuchu é uma fruta - mais sem graça que existe (apesar de ser riquíssima em fibras, potássio e vitaminas A e C). Desde então o chuchu em casa ganhou status de popstar, tendo presença constante na nossa geladeira!

Ingredientes:
- 2 colheres de chá de azeite
- 1 cebola picada
- 1 chuchu ralado
- ½ xícara de extrato de tomate
- 1 colher (sopa) rasa de farinha de trigo
- ½ xícara de leite de coco
- coentro picado a gosto
- sal a gosto
- Farinha de rosca e queijo ralado a gosto (caso não tenha farinha de rosca, pão dormido triturado ou ainda biscoitos cream cracker esfarelados dão conta do recado)


Modo de preparo:

Refogue a cebola no azeite e junte o chuchu ralado no ralo grosso. Adicione o extrato de tomate e deixe cozinhar por cerca de 10 minutos. Polvilhe a farinha de trigo e acrescente o leite de coco, o coentro e o sal e coloque em um refratário. Misture a farinha de rosca com o queijo ralado e polvilhe por cima. Leve ao forno quente por cerca de 10 minutos ou até formar uma casquinha crocante por cima. Sirva com um bom molho de pimenta!


Mousse de chocolate "prajá"

Essa receita eu primeiro vi no livro "Nigella Express", que também foi meu primeiro oráculo culinário. É uma receita super prática de fazer, para aqueles dias em que se quer um sobremesa logo e não teve como fazer antes. No livro, a chef  (cujo titulo também é por conta do sucesso e não de fato pelo curso - ela é jornalista - o que adoro) ensina a receita de mousse de chocolate, mas eu dei uma adaptada depois para conseguir fazer de vários sabores.

Ingredientes 
- 150 g de minimarshmallows (aqueles que a gente compra nas lojas americanas, na seção de doces)
- 1 colher de sopa de manteiga ou margarina
- 250 g de chocolate amargo, cortado em pedacinhos (aqui encontra-se a grande mudança da receita: para fazer uma mousse de limão, por exemplo, utilize a mesma quantidade de chocolate branco e suco de limão; para mousse de maracujá, chocolate branco e suco de maracujá, e assim por diante, até onde a criatividade permitir)
- 60 mL de a´gua quente, recém-fervida
- 1 1/2 caixinha de creme de leite
- 1 colher chá de essência de baunilha


Modo de preparo
Ponha os marshmallows, a manteiga, o chocolate e a água em uma panela de fundo pesado. Aqueça em fogo baixo para derreter tudo, mexendo de vez em quando. Tire do fogo. Bata o creme de leite com a baunilha (e os sucos, se for o caso) e junte á mistura de chocolate. Coloque em tacinhas ou canecas e leve ao congelador por 10 minutos, decore com o que achar conveniente (na foto eu decorei com canudos de chocolate, chocolate crocante e marizpan) e pronto! 



segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Sorvete de Manga com Maracujá com calda de flor de laranjeira e brownie de chocolate com amêndoas

Eu sou alucinada por sorvete, com certeza é a minha sobremesa favorita (e olha que amo todas as sobremesas!). Tomo sem pestanejar dois litros de sorvete, mas confesso que tem que ser um bom sorvete. Uma das primeiras receitas doces que comecei a fazer foi sorvete, na minha sorveteira da Estrela (quem lembra?), e depois comprei um kit pra preparação de sorvetes artesanais e até que fiz uns bem gostosos! A sorveteria Cairu aqui em Belém tem quase todos os meus sabores favoritos, menos dois: o de Pistache (que igual ao da La Basque não há) e o extinto Manga com Maracujá da Häagen-Dazs, que é o da receita que vou postar agora. Vou ser bom sincera com vocês: pra ficar igual quase não se usa fruta! É isso mesmo! Já tentei com várias proporções e o sabor não é igual. Tem que usar polpa mesmo, já com água ou então bem pouco de cada uma delas...acho que as duas frutas, por serem fortes, concentram demais e dão um sabor diferente. A calda de flor de laranjeira foi um experimento meu feito que achei que caiu super bem, e esse brownie foi só um acompanhamento mesmo, uma receita bem simples, mas onde substituo o trigo por farinha de amêndoas, pra dar um sabor um pouco mais diferente. A foto não ficou lá essas coisas, mas aqui em casa se eu não tiro logo a foto depois não tem mais nada!

Ingredientes 
para o sorvete:
- 1 lata de leite condensado
- 1 lata de creme de leite
- 2 colheres de sopa de maracujá (ou 1 pacotes pequenos de polpa)
- 1 copo de suco de manga (ou 3 pacotes pequenos de polpa)
- 2 colheres de sopa de leite em pó (ele ajuda a dar cremosidade ao sorvete)
- 1 colher de sobremesa de emulsificante (encontrado em lojas de produtos para festas - ou 1 pacote de gelatina sem sabor, dá cremosidade mas não tanta quato o emulsificante)

para a calda:
- 1 cálice (daqueles de pinga mesmo) de sopa de água de flor de laranjeira
- 2 colheres de sopa de açúcar

parao brownie:
- 6 colheres de sopa de chocolate em pó
- 1 e 1/2 xícaras de açúcar
- 1 xícara de farinha de amêndoas
- 100 g de manteiga derretida
- 2 ovos
- 1 colher de chá de essência de baunilha

Modo de preparo
para o sorvete:
Bata todos os ingredientes no liquidificador, exceto o emulsificante. Coloque numa forma e leve ao freezer até endurecer (leva mais ou menos umas 4 horas). Retire do freezer e bata novamente no liquidificador, agora com o emulsificante. Retorne a mistura ao freezer e após mais ou menos uma hora está pronto! Essa receita dá pra fazer com qualquer sabor que se desejar!

para a calda:
Coloque todos os ingredientes em uma panela e leve ao fogo até dar o mesmo ponto de calda de pudim, nem tão viscosa nem tão líquida. Está pronta!

para o brownie:
Numa tigela misture todos os ingredientes secos (açúcar, farinha e chocolate), Derreta a manteiga sem deixar ferver. Bata os ovos levemente com um garfo. Despeje aos poucos os ingredientes molhados (ovos, manteiga e baunilha) na tigela dos secos e misture bem até ficar homogêneo. Disponha a massa em uma forma retangular untada a asse em forno pré-aquecido por 30 minutos. Nessa receita dá para adicionar outras nozes e gotas de chocolate, fica ótimo!



terça-feira, 10 de setembro de 2013

Feijoada Vegetariana

       A Tati Salles me pediu uma receita de feijão pra poder usar na receita de chili. Demorei pra postar porque queria uma coisa bem legal (e com foto), e finalmente saiu!
      Há muitas receitas de feijão, mas sempre tem aquela especial, que a gente sente gosto da casa da mãe ou aquela que a gente sente gosto de churrascada! Recentemente fui a um restaurante aqui em Belém (o Govinda), que serve comida vegetariana com um toque indiano - ma-ra-vi-lho-so, diga-se de passagem - e me encantei com a feijoada deles. Dias depois resolvi fazer na casa da mamãe a não é que o resultado foi bom?! Estou então compartilhando a receita (que foi acompanhada de couve refogada na manteiga, laranja, farofa de banana e arroz de amêndoas), que se tirar os ingredientes da "feijoada" fica um feijão bem gostoso que dá pra comer no dia-a-dia ou então usar na receita do chili. Na pior das hipóteses, na pressa e na ânsia desesperadora por um feijão, aí vale o de caixinha do supermercado (confesso que já usei bastante!).

Ingredientes:
- 1 xícara de jeijão cru
- 150 g de queijo provolone (ou 100g de provolone e 50g de ricota defumada)
- 1 cenoura
- 1 xícara de soja em pedaços
- gersal até dar o ponto do tempero (mistura de sal marinho e gergelim, muito usado na culinária indiana - usei o gersal em todos os acompanhamentos também)
- uma pitada de canela em pó
- louro em pó
- pimenta do reino

Modo de preparo:
Hidrate a soja com água morna mais ou menos uns vinte minutos antes do cozimento. Em seguida, lave e escorra. Coloque os ingredientes do feijão, exceto os queijos e os temperos em uma panela de pressão e cubra com o dobro da quantidade de água. Tampe e panela e, quando começar a chiar, conte vinte minutos e desligue o fogo. Ao sair a pressão, destampe e panela e acrescente os queijos e os temperos, até ficar ao seu paladar. Está prontinho!
Caso não possua panela de pressão aí o negócio fica complicado. A primeira vez que fiz feijão em casa eu não tinha uma (usei temperos comuns - sal, alho e cebola mesmo) e deixei o feijão cozinhando por uma hora e meia e o danado ainda ficou duro, então pra quem gosta de um feijãozinho vale a pena o pouco investimento!


segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Creme de shiitake com castanhas

Tem muita receita na frente, mas como fiz essa facinha hoje no jantar e ficou boa, resolvi postar. Não tem história especial, era apenas o jantar de hoje! Quanto aos ingredientes, vou ser um pouco menos específica hoje, porque como tem alguns temperos, muita coisa é o quanto baste :)

Ingredientes:
- uma bandeja de shiitake (200 g aproximadamente)
- 225 g de castanhas portuguesas cozidas e sem casca
- 1 cálice de vinho tinto
- 1 colher de sopa de azeite
- 1/2 cebola picada
- raspas de laranja (q.b.)
- mostarda em grãos (ou mostarda dijon - q.b.)
- coentro em grãos (q.b.)
- gergelim branco (q.b)
- sal
- pimenta
- 1/2 caixa de creme de leite
- 1 colher de sopa de ají panca (ou a mesma quantidade de páprica)
- croutons para decorar

Modo de preparo:
Lave os cogumelos e corte-os em pedaços menores. Aqueça o azeite em uma panela, acrescente as cebolas e o gergelim  e deixe-os caramelar. Coloque em seguida os cogumelos e o vinho. Tempere com o sal, a pimenta, as raspas de laranja e a mostarda e o coentro moídos. Quando os cogumelos murcharem, acrescente as castanhas, cozinhe por mais um minuto e desligue o fogo. Acrescente o creme de leite e bata tudo com um mixer (ou num liquidificador). Disponha em cumbucas, arrume com o ají e os croutons e sirva (a folhinha decorativa é de limão desidratado, pra representar um pouquinho da acidez da laranja, só firula mesmo!). Ficou ótimo gente!



domingo, 1 de setembro de 2013

Chilli con carne e Guacamole


            De todas as receitas, inventadas e reinventadas, essa é uma das mais famosas. Experimentada por muitas pessoas quando vão em casa, é pedida certa quando pergunto o que querem que eu cozinhe, em especial meu tio Otávio, admirador incontestável desse prato. A idéia da receita surgiu quando estava buscando cozinhar pratos do mundo em casa, para inovar o jantar. Quando pensei em México, logo me veio na cabeça “guacamole”, mesmo que nunca tivesse provado esse prato. Mais uma vez pesquisei a receita e encontrei a de chilli con carne junto, e resolvi fazer as duas, mais uma vez mudando a receita para os ingredientes que tinha em mãos. O sucesso foi imediato, e lembro-me que nesse dia eu e o Estillac comemos tanto que depois de um tempo a boca estava anestesiada pela pimenta. Depois de ter feito a receita tive a oportunidade de provar em vários outros locais, quando a comida mexicana virou moda e daí vi que realmente minha receita não foi tão diferente assim, tirando o fato de que no Chile, ao invés de abacate, eles usam a palta, que é um abacate um pouco mais adocicado!
            Quando for preparar o prato, sugiro fazer primeiro a guacamole e guardar na geladeira enquanto prepara o chilli con carne. Um dos pontos bons do prato é a mistura do frio da guacamole com o quente do chilli, que deve ser servido logo após o preparo. Na hora de comer, tenha nachos em mãos (o que para mim é um pacote gigante de Doritos®) e sirva-se no próprio nacho de um pouco de cada um. Uma outra opção é servir a guacamole em um sanduíche, como o meu chileburger da foto (feito com pão, hamburger caseiro - facinho, só moldar a carne com sal e pimenta - chutney de cebola - receita que colocarei logo logo em outro post - ají panca - o primo andino da páprica - a minha guacamole, tomate e alface)

Ingredientes:
Para o chilli con carne
- 300 kg de patinho moído
- 2 conchas de feijão cozido (sem caldo sem acompanhamentos, tipo linguiça ou charque
- Azeite
- 1 cebola ralada ou bem picada
- 1 colher de sopa de alho picado
- 1 colher de chá de orégano
- 1 folha de louro
- 2 xícaras de chá de purê de tomate
- 1 colher de café de cominho
- 1 colher de sopa de salsa picada
- Molho de pimenta de sua preferência (já usei pimenta tabasco, calabresa, malagueta e até pimenta de cheiro)
- Queijo prato ralado a gosto
Para a guacamole
- 2 abacates maduros
- 2 tomates sem pele e sem semente
- 1 colher de sopa de alho picado
- 1 cebola média
- Pimenta sem semente (de acordo com a “quentura” que se quer dar ao prato ela pode ser dedo-de-moça ou de cheiro ou ainda malagueta ou jalapeño)
- Suco de 1 ou 2 limões
- Coentro e sal a gosto

Modo de preparo:
Para o chilli
Aqueça o azeite em uma panela e refogue a cebola, o alho, o orégano, o louro e a carne moída. Junte o purê de tomate, o cominho e deixe ferver até engrossar um pouco. Acrescente o feijão e a salsa picada. Deixe ferver por mais 10 minutos. Adicione o molho de pimenta e desligue o fogo. Ainda quente, passe para um refratário e polvilhe o queijo prato ralado.
Para a guacamole

            Corte o abacate em pedaços, amassando alguns com um garfo para formar uma pasta. Corte os tomates (sem pele e sem sementes), a cebola, o dente de alho e a pimenta em pedaços bem pequenos (devem ser bem picados) e junte-os ao abacate. Tempere com limão, sal e o coentro picado finamente, a gosto.



quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Pizza “Chateau Pizza”


Quando estivemos na França, na cidade de Marselha, ficamos hospedados em um castelo familiar na localidade de Chateau Gombert, uma espécie de distrito de Marselha. A região era pequena e acolhedora, e como eu passava o dia trabalhando e chegava cansada à noite no hotel, não tínhamos muita disposição para sair para jantar. A opção era uma pizzaria próxima chamada Pizzerie Du Chateau, onde o meu marido ia, encomendava a pizza, voltava para o hotel para esperar e depois ia buscar. Por várias noites comemos a pizza, que por sinal era deliciosa, e pudemos experimentar os sabores franceses. Se algum dia foi dito que os franceses não sabem fazer pizza, esse dito é uma grande inverdade, pois a massa era fina sem ser ressecada e os recheios generosos e bastante saborosos, tanto que um dos sabores que comi lá, que leva o nome do lugar, inclusive, está entre os melhores que já comi na vida! Pra quem gosta da mistura suave de doce e salgado, essa é a pedida! O recheio é composto de tomates frescos, queijo de cabra, mel e ervas de provence. Não colocarei nenhuma receita de massa. Sintam-se à vontade para fazer a própria massa (em máquina de pão, sovando, de liquidificador) ou comprar uma boa. O queijo de cabra realmente faz uma diferença por conta do sabor característico, mas uma boa muçarela de búfala também confere um sabor agradável.

Ingredientes (para uma pizza grande):
- 1 disco de pizza de 35 cm de diâmetro
- 100g de muçarela ralada
- 2 tomates ralados (corta-se o tomate ao meio, retira-se as sementes e rala-se a polpa em um ralador grosso – a consistência fica parecida com a de um molho de tomate bem encorpado)
- sal
- pimenta
- 100 g de queijo de cabra ralado ou em fatias finas, como preferir
- 3 colheres de sopa de mel (na ausência de um mel realmente saboroso, eu confesso que prefiro glucose de milho, pois ao meu paladar um mel de má qualidade torna-se enjoativo)
- Rodelas de tomates frescos para decorar
- ervas de provence a gosto (ervas de provence é uma mistura de ervas aromáticas originárias do sul da França. Em tese, cada cozinheiro tem sua fórmula, mas hoje em dia elas são encontradas facilmente em supermercados. Caso não encontre, minha sugestão é misturar folhas secas e esmigalhadas nesta proporção: 2 col. (sopa) de manjericão, 1 col. (sopa) de manjerona, 1/2 col. (sopa) de alecrim, 1 col. (sopa) de segurelha, 2 col. (sopa) de tomilho, 1 col. (sopa) de alfazema e 1 folha de louro. Rende bastante!)

Modo de preparo:

Tempere o tomate ralado com o sal e a pimenta e espalhe sobre o disco de pizza. Salpique a muçarela e o queijo de cabra, disponha as rodelas de tomate e polvilhe e as ervas de provence. Jogue o mel em forma de fio em toda a superfície da pizza e leve para assar. O tempo irá variar com a massa escolhida, mas caso seja massa fresca e pré-assada antes de se adicionar o recheio,  a pizza está pronta quando ao abrir o forno e dar uma levantadinha na massa, o fundo estiver querendo ficar douradinho. Caso queira, jogue mais um pouco de mel na pizza pronta e daí pra frente, Mesdames et Messieurs, est une pizze magnifique!


terça-feira, 27 de agosto de 2013

Sopa de Cebola


Quando fui à França realizar um módulo do meu doutorado (e não realizar uma viagem exclusivamente enogastronômica, infelizmente) procurei me informar sobre as especialidades culinárias do país e li num blog que a sopa de cebola francesa era uma delas. Infelizmente eu não consegui provar essa iguaria, e quando voltei ao Brasil corri para o “pai dos burros” para procurar a receita e ver o quão diferente ela era das outras receitas de sopa de cebola. No fim das contas, ela se parece muito com a também famosa sopa de cebola servida no Ceasa de São Paulo e aí resolvi fazer uma versão das duas sopas, acrescentando uns ingredientes aqui outro ali. Até meu Bernardinho comeu, mastigando os pedaços de cebola e isso pra mim foi um bom sinal, visto que não se encontra todo dia uma criança de três anos mastigando pedaços de cebola! Essa sopa é incrível e muito boa para ser tomada à noite, depois de um dia “daqueles”, em que tudo o que se quer é o conforto do lar, um abraço gostoso e um filminho bem água-com-açúcar pra se ver.

Ingredientes (Para 4 generosas porções):
- 2 cebolas grandes cortadas em tiras (julienne)
- 1 tablete de caldo de carne
- 2 xícaras de água
- Cubos de frango ou de linguiça
- 3 colheres de sopa de amido de milho
- Torradas
- Azeite, sal, pimenta do reino, tomilho e páprica doce a gosto
- Queijo ralado a gosto
- Gotas de azeite trufado (ou azeite extravirgem comum)

Modo de preparo:

            Aqueça o azeite em uma panela que possa ir ao forno. Junte as cebolas e deixe-as caramelizar (elas irão murchar, perder a acidez e adquirir um lindo tom dourado que encantou meu Bernardo). Acrescente a carne escolhida (o frango é mais light, mas a linguiça acrescenta mais sabor à sopa) e deixe fritar bem. Salpique a páprica doce, a pimenta do reino e o tomilho para dar sabor ao refogado e em seguida ponha a água, deliciando-se com o chiado que o derramar da água faz na panela quente (na linguagem nerd, calefação). Junte o caldo de carne e deixe uns dez minutos apurando os sabores. Acerte o sal, mas lembre-se que o queijo ralado irá ser polvilhado no final. Em seguida, dissolva o amido de milho em um pouco de água e junte-o ao caldo, para engrossar. Retire a panela do fogo, cubra-a com as torradas, polvilhe queijo ralado a gosto e leve ao forno para gratinar (Isso levará mais ou menos uns 20 minutos). Retire a panela do fogo e, ao servir cada prato, acrescente algumas gotas de azeite trufado, escolha onde deseja estar – São Paulo ou Paris – e voilá, saboreie essa comida reconfortante!


segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Charque com Catupiry na Moranga

Charque com Catupiry na moranga
           
Na formatura do meu grande amigo Natan ou Nhá, experimentei essa iguaria que me conquistou por completo. Um prato simples (a parte mais complicada para mim fica por conta da dessalga do charque), barato e com sabor esplêndido! Na mesma semana da festa resolvi fazer em casa com o que consegui extrair do sabor do prato no dia e foi aprovado. Se é realmente desse jeito que se faz, não sei, mas que ficou bom ficou! Dá para servir puro, como prato principal acompanhado de arroz ou com pão (uso bastante o ciabatta, por ser mais duro).
Ingredientes:
- 1 abóbora cabotiá (ou a de sua preferência) ou 4 abóboras baby
- 1 cebola picada
- 300 g de charque dessalgado desfiado (geralmente eu procuro um charque com a maior quantidade de carne possível e, depois de cozido e dessalgado eu processo no liquidificador mesmo)
- 1 pote de catupiry ou 1 bisnaga de requeijão cremoso (se for usar catupiry pode diluir um pouco em água, pois ele é bem consistente)
- 1 colher de sopa de alho picado
- 2 colheres de sopa de azeite
- sal e pimenta a gosto
- cheiro-verde a gosto
- pão para servir

Modo de preparo:
Cozinhe a abóbora no sal até ficar al dente. Retire o tampo e raspe o seu interior até que a casca fique com 1 cm de espessura. Descarte as sementes e os fiapos e reserve a polpa retirada. Coloque a abóbora em uma travessa e leve ao forno para assar , até que a abóbora fique seca por fora e macia na polpa (para uma abóbora de tamanho médio, 15 minutos são suficientes).

 Em uma panela funda refogue o alho e a cebola no azeite, até começar a dourar. Junte o charque dessalgado e mexa por alguns minutos, para apurar o sabor. Acrescente a polpa da abóbora e o catupiry, acerte o sal e tempere com pimenta a gosto. Disponha o creme no interior da abóbora, salpique com cheiro-verde e sirva.


INTRODUÇÃO

Desde criança minha paixão pela culinária era evidente: passava o tempo todo na cozinha, inventando “gororobas” com as sobras do almoço da vovó Noca e me sentindo uma super-cozinheira. Ia me virando com o que tinha e não podia usar o fogo. Aos oito anos, fritei meu primeiro ovo e descobri o mundo maravilhoso do fogão! No início apenas alguns corajosos se arvoravam em me agradar provando as invenções culinárias mirabolantes que eu fazia, como meu irmão Alexandre e posteriormente meu pai Alberto. Lembro-me quando eu perguntava ao Alexandre “Você gosta de pasta de alho?”, ele respondia “Como!”, mas as muitas tentativas me deram certa prática e hoje em dia até que acho que não faço feio. Tirando meu marido, Estillac, que, apesar de ser meu provador oficial, come até pedra, saber que principalmente minha mãe,Wanda, adora meu tempero já me faz feliz!
As experiências inventivas “me virando nos trinta” com as sobras do preparo do almoço e ausência do fogão também me fizeram sair do trivial. Raramente cozinho o básico e aprendi a reinventar trocando ingredientes ou acrescentando outros de acordo com a necessidade. Essa necessidade podia ser falta de grana ou de tempo para comprar alguns ingredientes ou ainda pedidos fervorosos do meu marido para acrescentar ingredientes que ele adora, como manjericão e alho. Os mais de quatro anos que morei fora de Belém e tinha que cozinhar todos os dias (muitas vezes rapidamente) também me fizeram buscar pratos diferentes, de várias partes do mundo inclusive, para continuar cozinhando diferente todos os dias, e cozinhar pra mim virou mais que um hobby, e sim uma paixão! O “pai dos burros” (Google) e os programas culinários viraram oráculos para mim e comecei a trazer ingredientes e livros das “viagens enogastronômicas que fiz ao redor do mundo” (termo besta-chic utilizado para justificar a escolha dos críticos gastronômicos da Vejinha e que, desculpe Vejinha, uso quando quero fazer graça por não ser graduada em gastronomia).
Esse blog mostra um pouco do meu amor pela gastronomia e a influência que ela possui na minha vida, mostrando não só os pratos que invento ou reinvento como também a história por trás desses pratos, muitas vezes histórias de satisfação por cozinhar e agradar as pessoas que amo. Por essa razão também citarei o nome de todas as pessoas que se relacionam diretamente com cada história. Quero que elas se reportem ao momento ao lerem esse blog e saibam o quanto foram importantes para a minha vida gastronômica.
Como o blog é “Inventando e Reinventando na Cozinha”, colocarei os ingredientes que utilizei em cada receita, mas sintam-se à vontade para reinventar novamente, acrescentando, retirando e substituindo ingredientes, de acordo com o gosto e a necessidade. A maioria das receitas eu faço de cabeça, então terei certo trabalho para colocar as quantidades aqui. Quanto ao rendimento...bom, como geralmente meus “testers” são bastante comilões é difícil medir o rendimento, sendo assim acabei por deixar o quanto se consegue comer de cada prato. Espero que gostem!