Criei esse blog dedicado a
receitas, mas resolvi fazer um post diferente dessa vez.
Algumas vezes, quando postei
receitas, seja no blog ou em outro meio, recebi comentários do tipo: “Isso não
é pra mim”, “É chique demais”, “Não conheço os ingredientes”, “Muito
sofisticado” e por aí vai. De tanto ouvir isso, resolvi tentar mudar esse cenário,
mostrando que a arte gastronômica está mais perto de todos nós do que se pensa!
Gastronomia é arte, comer é uma arte, e quem não aprecia arte deve rever seus
conceitos!
Quem nunca se regozijou ao
saborear seu prato predileto que atire a primeira pedra. Esse é o pontapé
inicial para se apreciar, ou até analisar a comida. Sou contra a máxima “Come-se
para viver” e muito menos da “Vive-se para comer”. Nenhuma das duas representa
a felicidade, a beleza, o aprazível e a maioria de nós, mortais, não faz nenhum
dos dois extremos. Abolir as amarras que nos prendem a um desses extremos é o
segundo pontapé para a entrada no mundo “gourmet”. Por fim, ter a consciência
que, assim como um quadro pode não nos agradar, um prato também não, mas
precisamos observar o quadro, ou seja, saborear a comida. Dessa forma deixamos
de ser “gourmands” e nos tornamos “gourmets”. Fácil não é?
A título de definição, “gourmand”
é aquele que está mais próximo do dito “vive-se para comer”. Aprecia o que
come, mas mais pela quantidade do que pela qualidade, deixando de apreciar
nuances e detalhes. Parafraseando meu afilhado, “não interessa se é Orca ou
Jubarte, é baleia”. Já o “gourmet” (ou gastrônomo, mas quis preservar os dois
termos similares e com isso abri mão do nosso português nesse momento) é o
patamar onde estou querendo levar meus leitores. Esse não apenas adora comida,
mas sabe comê-la e apreciá-la. Um azeite, um tempero, o modo de preparo, a
diferença das texturas, a harmonização, tudo isso faz diferença para o gourmet.
E digo, isso não é “frescura”, é arte, e quem nunca experimentou com certeza
irá se fascinar com esse mundo. Um simples arroz com feijão pode se tornar uma
experiência gastronômica inesquecível ao se incluir novos temperos e diferentes
texturas á receita tradicional. Sabores regionais e tradicionais são
complementados com outros inusitados, reinventando e ampliando nossa “ala
cerebral gustativa”. É como se descobríssemos um mundo novo, onde as
combinações de sabores não têm fim. Sim, todos podemos apreciar a arte. Todos
podemos ser gourmets!
Culinarista, ou “chef” (no seu
termo mais coloquial, já que chef na verdade é quem comanda uma cozinha
profissionalmente), é aquele que vai além da degustação e, com técnica e
criatividade, passa a elaborar pratos, criar novos sabores, novas texturas. Não
desmereço nenhum profissional da área, longe de mim, mas assim como podemos ser
médicos e músicos nas horas vagas sem desmerecer quem vive apenas da música ou
então sermos advogados e pintores, sem nenhuma desvalorização a quem é
exclusivamente pintor, podemos ser culinaristas nas horas vagas, sem desmerecer
em nenhum momento os grandes “chefs” de cozinha. Todos podemos! Claro que a
técnica conta bastante, mas como o ditado mesmo diz que “quem precisa sabe
fazer” e como todos precisamos comer, com afinco a técnica vem, mesmo para os
que se dizem péssimos cozinheiros (depois que vi minha irmã cozinhando tive a
mais absoluta certeza disso) e assim, com o lado artístico gourmet aflorado
vira-se um culinarista. Que tal tentar? Prometo que quem tentar não vai se
arrepender, palavra de culinarista (e chef, afinal eu comando a cozinha da
minha casa)!
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