domingo, 7 de dezembro de 2014

Todos podemos ser gourmets (e culinaristas também, por que não?)

Criei esse blog dedicado a receitas, mas resolvi fazer um post diferente dessa vez.

Algumas vezes, quando postei receitas, seja no blog ou em outro meio, recebi comentários do tipo: “Isso não é pra mim”, “É chique demais”, “Não conheço os ingredientes”, “Muito sofisticado” e por aí vai. De tanto ouvir isso, resolvi tentar mudar esse cenário, mostrando que a arte gastronômica está mais perto de todos nós do que se pensa! Gastronomia é arte, comer é uma arte, e quem não aprecia arte deve rever seus conceitos!

Quem nunca se regozijou ao saborear seu prato predileto que atire a primeira pedra. Esse é o pontapé inicial para se apreciar, ou até analisar a comida. Sou contra a máxima “Come-se para viver” e muito menos da “Vive-se para comer”. Nenhuma das duas representa a felicidade, a beleza, o aprazível e a maioria de nós, mortais, não faz nenhum dos dois extremos. Abolir as amarras que nos prendem a um desses extremos é o segundo pontapé para a entrada no mundo “gourmet”. Por fim, ter a consciência que, assim como um quadro pode não nos agradar, um prato também não, mas precisamos observar o quadro, ou seja, saborear a comida. Dessa forma deixamos de ser “gourmands” e nos tornamos “gourmets”. Fácil não é?

A título de definição, “gourmand” é aquele que está mais próximo do dito “vive-se para comer”. Aprecia o que come, mas mais pela quantidade do que pela qualidade, deixando de apreciar nuances e detalhes. Parafraseando meu afilhado, “não interessa se é Orca ou Jubarte, é baleia”. Já o “gourmet” (ou gastrônomo, mas quis preservar os dois termos similares e com isso abri mão do nosso português nesse momento) é o patamar onde estou querendo levar meus leitores. Esse não apenas adora comida, mas sabe comê-la e apreciá-la. Um azeite, um tempero, o modo de preparo, a diferença das texturas, a harmonização, tudo isso faz diferença para o gourmet. E digo, isso não é “frescura”, é arte, e quem nunca experimentou com certeza irá se fascinar com esse mundo. Um simples arroz com feijão pode se tornar uma experiência gastronômica inesquecível ao se incluir novos temperos e diferentes texturas á receita tradicional. Sabores regionais e tradicionais são complementados com outros inusitados, reinventando e ampliando nossa “ala cerebral gustativa”. É como se descobríssemos um mundo novo, onde as combinações de sabores não têm fim. Sim, todos podemos apreciar a arte. Todos podemos ser gourmets!

Culinarista, ou “chef” (no seu termo mais coloquial, já que chef na verdade é quem comanda uma cozinha profissionalmente), é aquele que vai além da degustação e, com técnica e criatividade, passa a elaborar pratos, criar novos sabores, novas texturas. Não desmereço nenhum profissional da área, longe de mim, mas assim como podemos ser médicos e músicos nas horas vagas sem desmerecer quem vive apenas da música ou então sermos advogados e pintores, sem nenhuma desvalorização a quem é exclusivamente pintor, podemos ser culinaristas nas horas vagas, sem desmerecer em nenhum momento os grandes “chefs” de cozinha. Todos podemos! Claro que a técnica conta bastante, mas como o ditado mesmo diz que “quem precisa sabe fazer” e como todos precisamos comer, com afinco a técnica vem, mesmo para os que se dizem péssimos cozinheiros (depois que vi minha irmã cozinhando tive a mais absoluta certeza disso) e assim, com o lado artístico gourmet aflorado vira-se um culinarista. Que tal tentar? Prometo que quem tentar não vai se arrepender, palavra de culinarista (e chef, afinal eu comando a cozinha da minha casa)!

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